O Rio Grande do Sul, que liderou as exportações brasileiras de ovos em 2024, encerrou 2025 com redução de 11% no volume embarcado, reflexo dos embargos e suspensões decorrentes do caso de influenza aviária em uma granja de Montenegro. Foram exportadas 5.787 mil toneladas, contra 6.500 mil no ano anterior.
Apesar da queda em volume, a receita aumentou 28,4%, passando de US$ 17,017 milhões em 2024 para US$ 21,852 milhões em 2025. Com isso, o Estado ficou em quarto lugar no ranking nacional de exportações por volume, atrás de Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais, mas garantiu a segunda posição em faturamento, superado apenas por São Paulo.
Estratégia e mercado
Segundo o presidente-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, o RS optou por não exportar ovos para os Estados Unidos quando o mercado abriu repentinamente no final de 2024. “Não se sabia se seria uma ação duradoura, mais pela questão da recuperação dos EUA da influenza aviária”, explicou.
Ele destacou que o “tarifaço” imposto posteriormente reduziu a demanda externa, gerando excedente no mercado interno. “O Rio Grande do Sul, como não exportou, conseguiu atravessar essa fase com equilíbrio”, avaliou.
Perspectivas para 2026
Santos projeta crescimento de 10% a 15% nas exportações neste ano, desde que não ocorram novos problemas sanitários ou climáticos como os de 2024, que afetaram regiões produtoras como o Vale do Taquari. Ele também aposta na definição do acordo Mercosul-União Europeia, que pode abrir espaço para o envio de ovos brasileiros ao bloco europeu.
Mercados e modernização
Atualmente, o Brasil exporta para países como Japão, Chile, nações do Oriente Médio e da África. Para Santos, a diversificação garante abastecimento contínuo e fortalece o setor. “O ovo tem sido emergente no agronegócio brasileiro, com modernização, automação e novos produtos voltados ao mundo fitness e esportivo”, afirmou.
O dirigente ainda destacou que o RS aguarda a retomada plena do mercado chileno, considerado estratégico pela proximidade logística. “É uma retomada lenta, não conseguimos recuperar o ritmo que tínhamos até meados de 2024”, disse.
Mesmo com desafios, Santos se mostra otimista: “As exportações devem crescer em faturamento, embora haja queda nos volumes, devido à não exportação para os EUA, à retomada gradual do Chile e aos embargos enfrentados durante a influenza aviária.”
Origem: https://www.rsnoticias.top/2026/01/rs-registra-queda-no-volume-de.html
