RS Notícias: Polícia estilo Trump

 

 

A crise em torno das operações do ICE levanta questões sobre os limites do uso da força do Estado entre outros assuntos

Por Jurandir Soares

A crise em torno das operações do U.S. Immigration and Customs Enforcement – ICE – com duas mortes de cidadãos americanos em menos de um mês e uma onda crescente de protestos – levanta questões profundas sobre os limites do uso da força pelo Estado, a proteção de direitos civis e a relação entre políticas federais e autonomia local. O debate nos EUA está longe de se acalmar, e a forma como esses casos serão investigados e julgados poderá moldar a política de imigração e a confiança pública nas instituições por muitos anos.

TENSÃO

Desde o início de 2026, as ações do ICE transformaram-se em um dos principais pontos de tensão política e social nos Estados Unidos. Sob a administração de Donald Trump, o ICE – tradicionalmente uma agência de fiscalização de imigração – foi ampliado e mobilizado em operações de grande escala em cidades como Minneapolis e Nova Iorque. Críticos afirmam que a agência deixou de ser apenas um instrumento de deportação e passou a atuar como uma força interna de ocupação, com milhares de agentes federais sendo deslocados para executar mandados, realizar prisões e, em casos extremos, confrontar manifestantes e moradores locais. Governadores e prefeitos, inclusive de estados e cidades com tradição progressista, reagiram com indignação à presença desses agentes em seus territórios. Eles pedem a retirada imediata das forças federais e apontam que o uso de soldados não treinados para policiamento urbano está exacerbando a violência – em vez de proteger a população.

ENFERMEIRO

No último sábado, 24, um novo capítulo trágico dessa crise se escreveu em Minneapolis com a morte de Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos. Enfermeiro de UTI, cidadão americano e sem antecedentes criminais. Ele foi baleado por agentes federais durante uma operação do ICE, em meio a protestos contrários às ações de imigração na cidade.

Autoridades federais afirmaram inicialmente que Pretti teria se aproximado dos agentes armado com uma pistola e que a ação foi uma resposta em legítima defesa. Mas imagens amplamente divulgadas nas redes sociais e analisadas por veículos de imprensa mostram Pretti segurando um celular, sem qualquer demonstração de ameaça com arma de fogo no momento em que foi atingido. Testemunhas e familiares contestam firmemente a narrativa oficial, descrevendo a ação como uma execução desproporcional.

OBSERVADORA

A morte de Pretti ecoa dolorosamente outro caso recente em Minneapolis: o de Renée Nicole Good, também de 37 anos, morta em 7 de janeiro, por um agente do ICE durante uma operação federal que antecedeu o episódio com Pretti. Good era vista por apoiadores como uma observadora pacífica nos protestos e, segundo relatos e vídeos, não representava ameaça iminente quando foi baleada enquanto tentava dirigir seu carro. As autoridades afirmaram que ela teria tentado atropelar um agente, justificando o uso da força, mas imagens contraditórias e áudios levantam sérias dúvidas sobre a versão oficial.

A autópsia independente revelou que Good foi atingida por múltiplos disparos, e sua morte foi oficialmente classificada como homicídio por autoridades médicas. O episódio gerou protestos em várias cidades dos EUA e debates sobre os limites legais e morais da atuação federal em contextos civis.

DÓLARES

O impacto das ações do governo Trump no âmbito interno não se limita ao campo social e político. O clima de incerteza entre empresários e investidores nos EUA, alimentado pelas conflituosas políticas de imigração e pela resposta federal às manifestações, tem influenciado fluxos de capital. Temores de instabilidade e de uma política interna cada vez mais polarizada têm levado à fuga de dólares americanos para mercados considerados menos voláteis.

Esse movimento tem efeitos internacionais – por exemplo, no Brasil, onde a entrada de dólares impulsionou a valorização do real frente ao dólar, refletindo confiança momentânea em ativos denominados em moeda norte-americana. A valorização da moeda brasileira ilustra como choques políticos nos EUA podem reverberar em economias emergentes, aumentando a atratividade de capitais externos no curto prazo. Tanto as ações do ICE como a fuga de dólares são decorrência do estilo Trump de governar.

Correio do Povo

Origem: https://www.rsnoticias.top/2026/01/policia-estilo-trump.html

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