O prédio público que abrigou dezenas de mulheres e crianças desalojadas pelas enchentes em Porto Alegre até oito meses atrás hoje é cenário de abandono. A antiga Casa Violeta, localizada no bairro Rio Branco, tinha capacidade para receber até 190 pessoas e foi inaugurada em maio de 2024, após reforma da estrutura da extinta Escola Estadual Roque Callage.
De espaço de acolhimento a alvo de vandalismo
Durante seu funcionamento, o abrigo recebeu doações de entidades como o Instituto Cultural Floresta (ICF) e o Sulpetro, além de equipamentos médicos e mobiliário. A gestão foi realizada pelo Instituto Survivor e pelo Me Too Brasil, em parceria com a Secretaria Estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH).
Fechado em maio de 2025 e atualmente sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), o espaço enfrenta deterioração acelerada: lixo acumulado, móveis destruídos, vidros quebrados, teto em queda e fiação elétrica arrancada. Pessoas em situação de rua passaram a ocupar o local, onde também há vestígios de consumo de drogas.
Reclamações e insegurança
Moradores relatam insegurança e circulação constante de transeuntes. Desde o fechamento, já foram registradas sete detenções pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) e outras prisões pela Brigada Militar (BM). O prédio também foi alvo de invasões e furtos.
Posições oficiais
- Prefeitura de Porto Alegre: informou que acompanha a situação e adota medidas administrativas para assegurar o uso adequado do espaço. Destacou que a GCM deteve sete pessoas em invasões recentes e que forças de segurança seguem monitorando a área.
- Governo do Estado: confirmou a devolução do imóvel à administração municipal em novembro de 2025, após conclusão dos trâmites administrativos.
- Brigada Militar (9º BPM): registrou duas ocorrências de furto e arrombamento em janeiro de 2026, ambas com prisão dos autores, além de manter policiamento ostensivo e ações preventivas na região.
De símbolo à deterioração
A Casa Violeta, que chegou a receber personalidades como Luiza Brunet durante as cheias, hoje representa a fragilidade da preservação de espaços públicos destinados ao acolhimento. O contraste entre o passado de solidariedade e o presente de abandono expõe a necessidade de medidas urgentes para recuperar o imóvel e garantir sua função social.
📌 Em resumo: a Casa Violeta, que foi referência no acolhimento de mulheres e crianças durante as enchentes em Porto Alegre, enfrenta abandono, invasões e depredação menos de um ano após seu fechamento.
Origem: https://www.rsnoticias.top/2026/01/casa-violeta-simbolo-de-acolhimento.html
