RS Notícias: Agricultura regenerativa se consolida como aliada contra a seca no RS

 

No campo, o clima é sempre um fator decisivo. Estiagens prolongadas ou enchentes extremas podem comprometer lavouras inteiras, reduzindo renda e dificultando o planejamento agrícola. No caso da seca, práticas de manejo do solo têm se mostrado fundamentais para minimizar prejuízos e aumentar a resistência das plantações.

O solo como reservatório

“O solo é o nosso maior reservatório de água”, afirma Paula Hofmeister, coordenadora da Comissão de Meio Ambiente da Farsul. A capacidade de infiltrar e armazenar água é determinante para a sobrevivência das lavouras em períodos sem chuva.

Nos últimos anos, o Rio Grande do Sul enfrentou quatro grandes estiagens, com perdas equivalentes a cerca de meio PIB estadual, segundo estimativas do Departamento Econômico da Farsul. O impacto vai além da produtividade: gera endividamento e ameaça a continuidade da atividade agrícola em regiões vulneráveis.

Agricultura regenerativa

Nesse cenário, cresce a adoção da agricultura regenerativa, um conjunto de práticas que reorganizam o funcionamento do solo para infiltrar melhor a água, reduzir perdas por escorrimento e manter a umidade disponível por mais tempo.

De acordo com Jorge Lemainski, chefe-geral da Embrapa Trigo, cada quilo de matéria orgânica pode armazenar entre 8 e 18 litros de água para as plantas. Essa reserva invisível permanece nos poros do solo, protegida do sol e do vento, garantindo maior resiliência hídrica.

Raízes mais profundas, plantas mais resistentes

A profundidade radicular é um dos principais indicadores da capacidade de enfrentar o estresse hídrico.

  • Raízes de 12 cm suportam poucos dias sem chuva.
  • A 30 cm, a tolerância dobra.
  • A 60 cm, a planta pode resistir até um mês.

A genética da cultura é a mesma; o que muda é o ambiente construído ao redor da raiz. Esse processo exige correção química, redução da compactação, rotação de culturas e cobertura vegetal contínua. Trata-se de um trabalho acumulativo, que demanda paciência e repetição ao longo das safras.

Seguro invisível

Para Paula Hofmeister, o manejo conservacionista funciona como um “seguro invisível”: não elimina as perdas, mas reduz significativamente a vulnerabilidade das lavouras.

“Quando falamos em agricultura regenerativa, estamos falando de devolver função ao solo. Ele precisa infiltrar, armazenar e disponibilizar água para que a raiz explore camadas mais profundas. Sem isso, a planta entra em estresse muito cedo”, explica.

📌 Em resumo: a agricultura regenerativa não é solução definitiva, mas representa uma estratégia concreta para aumentar a resiliência das lavouras gaúchas diante das secas recorrentes, transformando o solo em aliado contra a irregularidade climática.

Origem: https://www.rsnoticias.top/2026/01/agricultura-regenerativa-se-consolida.html

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